O que é Ansiedade: Guia Completo sobre Tipos, Sintomas, Causas e Tratamento.

Escrito por Thais Gonçalves, Psicóloga especialista em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental


Você já sentiu o coração acelerar antes de uma apresentação importante? Aquela tensão no peito, os pensamentos que não param, a sensação de que algo ruim está prestes a acontecer — mesmo sem motivo aparente? Se sim, você já experimentou a ansiedade.

A ansiedade faz parte da experiência humana. Ela é, em sua essência, uma resposta de sobrevivência — um sistema de alarme que nosso cérebro desenvolveu ao longo de milhões de anos para nos proteger de ameaças. O problema é que esse sistema, tão eficiente para afastar predadores na savana, muitas vezes dispara diante de e-mails, reuniões e notificações do celular.

Mas quando a ansiedade deixa de ser protetora e passa a ser limitante? Quando ela se torna um transtorno que precisa de atenção clínica? E o que a ciência — especialmente a neuropsicologia — nos ensina sobre como o cérebro ansioso funciona?

Este guia completo responde a essas e muitas outras perguntas, com base em evidências científicas e em anos de atuação clínica com pacientes que vivem com transtornos de ansiedade.


O que é Ansiedade? Definição Científica e Clínica

Ansiedade é uma resposta emocional e fisiológica a situações percebidas como ameaçadoras, caracterizada por apreensão, tensão, preocupação excessiva e ativação do sistema nervoso autônomo.

Do ponto de vista clínico, precisamos distinguir dois fenômenos distintos:

Ansiedade adaptativa (normal): É aquela resposta proporcional ao estímulo. Sentir ansiedade antes de uma prova, uma entrevista de emprego ou um procedimento médico é completamente esperado e até útil — ela aumenta o estado de alerta e a performance em doses adequadas.

Transtorno de ansiedade (patológico): Quando a ansiedade é desproporcional à ameaça real, persistente, de difícil controle e começa a comprometer a qualidade de vida, o trabalho, os relacionamentos e a saúde física, estamos diante de um transtorno que requer avaliação e tratamento especializado.

🔍 Ansiedade é uma resposta emocional normal ao estresse e ao perigo. Torna-se um transtorno quando é excessiva, persistente, difícil de controlar e interfere significativamente nas atividades diárias. Os transtornos de ansiedade são os mais prevalentes entre os transtornos mentais no mundo.


Ansiedade no Brasil e no Mundo: Dados que Você Precisa Conhecer

Os números são impactantes. O Brasil ocupa uma posição preocupante no ranking mundial de transtornos de ansiedade — e entender essa dimensão é essencial para compreender a urgência do problema.

Segundo dados do Covitel 2023 (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas, desenvolvido pela UFPel e Vital Strategies), 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de ansiedade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse número sobe para 31,6%, tornando essa a faixa etária mais afetada no país.

A prevalência é significativamente maior entre as mulheres: 34,2% das brasileiras vivem com diagnóstico de ansiedade, em comparação a índices menores entre os homens.

No cenário global, um estudo publicado no Journal of Affective Disorders (Wu et al., 2025), baseado nos dados do Global Burden of Disease Study 2021 e analisando 204 países, encontrou que o Brasil figura entre os países com as maiores taxas padronizadas por idade de transtornos de ansiedade, ao lado de Portugal e Paraguai.

A escala do problema é enorme: entre 1990 e 2021, a taxa global de prevalência dos transtornos de ansiedade aumentou 18% — e a pandemia de COVID-19 acelerou significativamente essa curva.

Esses números não são apenas estatísticas. Representam pessoas que sofrem em silêncio, muitas vezes sem saber o que está acontecendo — ou sem acesso ao tratamento adequado.


Como o Cérebro Ansioso Funciona: A Neuropsicologia da Ansiedade

Compreender a ansiedade do ponto de vista neurobiológico é fundamental — tanto para desmistificar o que o paciente sente quanto para entender por que os tratamentos funcionam.

O Papel da Amígdala: O “Alarme de Incêndio” do Cérebro

A amígdala é uma estrutura em forma de amêndoa localizada no sistema límbico, responsável por detectar e processar ameaças. Ela funciona como um sistema de alarme altamente sensível: ao identificar um possível perigo — real ou imaginado — ela dispara uma cascata de respostas em milissegundos.

Esse disparo ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), resultando na liberação de hormônios do estresse como o cortisol e a adrenalina (epinefrina). O resultado é aquilo que todos conhecemos: coração acelerado, respiração rápida, músculos tensos, pupilas dilatadas, mente em alerta máximo.

Em pessoas com transtornos de ansiedade, a amígdala tende a ser hipersensível — disparando alarmes mesmo diante de situações que não representam perigo real.

O Córtex Pré-Frontal: O “Regulador” que Pode Falhar

Se a amígdala é o acelerador, o córtex pré-frontal é o freio. É essa região, mais desenvolvida nos humanos do que em qualquer outro animal, que nos permite avaliar racionalmente uma situação, contextualizar o perigo e “dizer” à amígdala: “pode relaxar, não é uma ameaça real.”

Um estudo de revisão publicado em Neuropsychopharmacology (Kenwood et al., 2022) explica que vias específicas do córtex pré-frontal modulam a resposta da amígdala através de sistemas inibitórios — e que a ruptura dessas conexões está diretamente associada à patologia dos transtornos de ansiedade.

Uma revisão sistemática publicada em Cureus (Mavrych et al., 2025), analisando 32 estudos sobre o circuito amígdala-córtex pré-frontal, confirma que a conectividade bidirecional entre essas regiões é crítica para a percepção e regulação do medo — e que sua disfunção está na base de transtornos como o TEPT, o transtorno do pânico e a ansiedade generalizada.

Em termos práticos: quando o córtex pré-frontal não consegue regular adequadamente a amígdala, a pessoa fica “presa” no modo alarme — hipervigilante, antecipando catástrofes, incapaz de se acalmar mesmo quando sabe racionalmente que está segura.

Neurotransmissores: O Papel do GABA, Serotonina e Noradrenalina

Do ponto de vista neuroquímico, três sistemas são centrais na ansiedade:

  • GABA (ácido gama-aminobutírico): O principal neurotransmissor inibitório do cérebro. Quando o sistema GABAérgico está deficiente, o cérebro fica em estado de excitação crônica — o que se manifesta como ansiedade constante.
  • Serotonina: Regula o humor, o sono e o processamento emocional. Desequilíbrios no sistema serotoninérgico estão associados a transtornos de ansiedade e depressão.
  • Noradrenalina: Atua no sistema de alerta e resposta ao estresse. Níveis elevados estão relacionados à hipervigilância e às respostas físicas intensas da ansiedade.

Essa compreensão neurobiológica explica, inclusive, por que determinados medicamentos funcionam — e por que a TCC também altera estruturalmente o funcionamento cerebral, gerando mudanças mensuráveis no padrão de ativação da amígdala e do córtex pré-frontal.


Tipos de Transtornos de Ansiedade: Uma Visão Completa

O termo “ansiedade” é amplo e abrange diferentes condições clínicas, cada uma com características específicas de sintomas, gatilhos e padrões. Conhecer essas distinções é o primeiro passo para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.

1. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Caracterizado por preocupação excessiva e persistente sobre múltiplos aspectos da vida (trabalho, saúde, família, finanças), presente na maioria dos dias por pelo menos seis meses, de difícil controle.

Sintomas principais: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, distúrbios do sono.

Prevalência ao longo da vida: aproximadamente 6,2%, conforme revisão publicada no JAMA (Craske & Stein, 2022).

2. Transtorno do Pânico (Síndrome do Pânico)

Episódios recorrentes e inesperados de medo intenso (ataques de pânico), acompanhados de sintomas físicos intensos e o medo persistente de novos ataques.

Sintomas do ataque: taquicardia, falta de ar, dor no peito, tontura, sensação de morte iminente, despersonalização.

Prevalência ao longo da vida: 5,2%, conforme o mesmo estudo do JAMA.

3. Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

Medo intenso e persistente de situações sociais ou de desempenho, com receio de ser avaliado negativamente, humilhado ou embaraçado.

Prevalência ao longo da vida: 13% — tornando-a um dos transtornos de ansiedade mais comuns.

4. Fobias Específicas

Medo excessivo e irracional de objetos ou situações específicas (alturas, animais, sangue, aviões, etc.), que leva a comportamentos de evitação significativos.

5. Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

Caracterizado por obsessões (pensamentos intrusivos recorrentes) e compulsões (comportamentos repetitivos realizados para reduzir a ansiedade gerada pelas obsessões).

⚠️ Nota clínica: Embora historicamente classificado junto aos transtornos de ansiedade, o DSM-5 posicionou o TOC em categoria própria (Transtornos Obsessivo-Compulsivos e Relacionados). No entanto, a ansiedade permanece como componente central do quadro.

6. Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)

Desenvolve-se após exposição a evento traumático, com sintomas de revivência do trauma, evitação, alterações negativas do humor e cognição, e hipervigilância.

7. Agorafobia

Medo de situações das quais a fuga seria difícil ou embaraçosa em caso de pânico — como multidões, transportes públicos, espaços abertos ou fechados.


Sintomas de Ansiedade: Físicos, Emocionais e Cognitivos

Um dos aspectos mais confusos para quem vive com ansiedade é a multiplicidade de sintomas — muitos deles físicos — que podem ser facilmente confundidos com doenças orgânicas. Essa é, aliás, uma das razões pelas quais muitas pessoas demoram anos para receber um diagnóstico adequado.

Sintomas Físicos

SintomaPor que acontece
Taquicardia (coração acelerado)Adrenalina aumenta frequência cardíaca para “preparar o corpo para a ação”
Falta de ar / respiração rápidaHiperventilação como resposta ao estado de alerta
Tensão muscular / dores no corpoMúsculos se contraem em preparação para luta ou fuga
Sudorese excessivaResfriamento do corpo e resposta ao estresse
Tontura / sensação de desmaioRedistribuição do fluxo sanguíneo
Dores de cabeçaTensão muscular crônica e hiperativação do SNC
Problemas gastrointestinaisConexão eixo intestino-cérebro (microbioma e sistema nervoso entérico)
InsôniaHiperativação do sistema de alarme dificulta o relaxamento
Formigamento em extremidadesAlterações circulatórias durante a resposta de estresse

Sintomas Emocionais e Comportamentais

  • Sensação persistente de medo ou apreensão sem causa clara
  • Irritabilidade e impaciência
  • Dificuldade de relaxar ou “desligar”
  • Choro fácil ou sensação de estar à beira de um colapso
  • Comportamentos de evitação (situações, pessoas, lugares)
  • Necessidade de controle excessivo
  • Dificuldade em tolerar incerteza

Sintomas Cognitivos

  • Preocupação excessiva e pensamentos catastróficos (“e se…?”)
  • Dificuldade de concentração e esquecimento
  • Ruminação (ficar “remoendo” situações passadas ou futuras)
  • Pensamento em túnel (foco apenas no que pode dar errado)
  • Hipervigilância (estar sempre “de guarda”, monitorando ameaças)
  • Interpretação negativa de situações ambíguas

🔍 “Quais são os sintomas de ansiedade?”: Os sintomas de ansiedade incluem: taquicardia, falta de ar, tensão muscular, insônia, sudorese, dores de cabeça e problemas digestivos (sintomas físicos); irritabilidade, medo persistente e comportamentos de evitação (sintomas emocionais); e pensamentos catastróficos, dificuldade de concentração e ruminação (sintomas cognitivos).


Causas da Ansiedade: Por que Ela se Desenvolve?

A ansiedade não tem uma causa única. Ela é multifatorial — resultado de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais.

Fatores Biológicos

  • Genética: Estudos indicam herdabilidade moderada a alta para os transtornos de ansiedade. Ter familiares com o diagnóstico aumenta a vulnerabilidade.
  • Temperamento: Crianças com temperamento inibido, alta sensitividade e reatividade emocional têm maior predisposição.
  • Neurobiologia: Hiperatividade da amígdala, deficiência nos sistemas GABAérgico e serotoninérgico, alterações no eixo HHA.
  • Condições médicas: Hipertireoidismo, arritmias, síndrome do intestino irritável, fibromialgia e outras condições podem coexistir ou exacerbar a ansiedade.

Fatores Psicológicos

  • Histórico de traumas (abuso, negligência, perdas significativas)
  • Apego inseguro na infância
  • Perfeccionismo e intolerância à incerteza
  • Baixa autoeficácia (crença de que não consegue lidar com desafios)
  • Estilo cognitivo com viés para interpretação ameaçadora de situações ambíguas

Fatores Ambientais e Sociais

  • Eventos de vida estressantes (perda de emprego, divórcio, luto)
  • Ambiente familiar disfuncional ou superprotetor
  • Exposição precoce a estressores crônicos
  • Uso de substâncias (cafeína em excesso, álcool, cannabis, drogas)
  • Falta de suporte social
  • Pressões socioeconômicas e culturais

⚠️ Importante: A ansiedade não é fraqueza, frescura ou falta de fé. É uma condição com base neurobiológica, influenciada por uma série de fatores que estão além do controle consciente do indivíduo. Compreender isso é o primeiro passo para buscar ajuda sem culpa.


Como é Feito o Diagnóstico de Ansiedade?

O diagnóstico dos transtornos de ansiedade é clínico — realizado por psicólogo ou psiquiatra com base em entrevista clínica detalhada, utilizando os critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e/ou da CID-11 (Classificação Internacional de Doenças).

Instrumentos validados como o GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder Scale) e o BAI (Inventário de Ansiedade de Beck) são frequentemente utilizados como auxiliares do processo diagnóstico.

É fundamental que condições médicas que possam mimetizar ou exacerbar a ansiedade (hipertireoidismo, arritmias, etc.) sejam descartadas ou devidamente tratadas.

🔍 “Como saber se tenho ansiedade?”: O diagnóstico de ansiedade é realizado por psicólogo ou psiquiatra através de entrevista clínica detalhada, utilizando critérios do DSM-5. Não existe exame de sangue ou de imagem que diagnostique ansiedade — o diagnóstico é baseado no histórico, nos sintomas, na duração e no impacto funcional.


Tratamento para Ansiedade: O que a Ciência Comprova

A boa notícia — e isso é fundamental para qualquer pessoa que vive com ansiedade — é que os transtornos de ansiedade têm tratamento eficaz. A ciência é clara nesse ponto.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): O Padrão-Ouro

A Terapia Cognitivo-Comportamental é consistentemente reconhecida como o tratamento psicológico de primeira linha para os transtornos de ansiedade.

Uma meta-análise robusta publicada no Journal of Consulting and Clinical Psychology (Carpenter et al., 2018), analisando 41 estudos randomizados com 2.843 pacientes, demonstrou que a TCC produz efeitos moderados sobre os sintomas do transtorno-alvo (Hedges’ g = 0,56) em comparação ao placebo — com as maiores magnitudes de efeito para o TOC, o TAG e o transtorno de estresse agudo.

Uma revisão mais recente publicada no JAMA (Leichsenring et al., 2025), analisando 375 ensaios clínicos com quase 33.000 pacientes, confirmou que a TCC é provavelmente eficaz para transtornos de ansiedade, depressão, TEPT, TOC e fobias específicas.

Como a TCC funciona na prática para a ansiedade:

  • Psicoeducação: Entender o que é ansiedade, como o cérebro funciona, o ciclo medo-evitação
  • Identificação e reestruturação de pensamentos automáticos: Aprender a identificar distorções cognitivas (catastrofização, leitura mental, generalização) e substituí-las por avaliações mais realistas
  • Exposição gradual: Aproximação sistemática e controlada aos estímulos temidos, quebrando o ciclo de evitação
  • Técnicas de regulação emocional: Respiração diafragmática, relaxamento muscular progressivo, mindfulness
  • Treinamento em resolução de problemas e habilidades sociais

Tratamento Farmacológico

Em muitos casos, especialmente os de intensidade moderada a grave, a combinação de psicoterapia com medicação produz melhores resultados. As classes de medicamentos mais utilizadas incluem:

  • ISRS (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina): Primeira linha farmacológica para a maioria dos transtornos de ansiedade
  • IRSN (Inibidores de Recaptação de Serotonina e Noradrenalina)
  • Benzodiazepínicos: Usados com cautela, em curto prazo, pelo risco de dependência

⚠️ Importante: A prescrição de medicamentos é responsabilidade exclusiva do médico psiquiatra. O psicólogo e o psiquiatra trabalham em equipe.

Estratégias Complementares com Evidência

Além da TCC e da farmacoterapia, algumas intervenções complementares têm suporte científico relevante:

  • Atividade física regular: Reduz cortisol, aumenta BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) e melhora regulação emocional
  • Higiene do sono: Sono de qualidade é fundamental para a regulação emocional e o processamento de memórias emocionais
  • Mindfulness: Prática regular associada a redução de ruminação e hipervigilância
  • Redução de cafeína e álcool: Ambos potencializam os sintomas de ansiedade
  • Suporte social: Relacionamentos de qualidade são fator protetor consistente na literatura

Ansiedade x Estresse x Depressão: Qual a Diferença?

Muitas pessoas confundem esses três quadros. Embora coexistam frequentemente, têm características distintas:

AnsiedadeEstresseDepressão
Foco temporalFuturo (antecipação)Presente (sobrecarga)Passado e futuro (ruminação)
Tom emocionalMedo, apreensão, hipervigilânciaIrritação, sobrecargaTristeza, vazio, desesperança
EnergiaHiperativada (agitação)Variável (esgotamento)Hipoativada (letargia)
Pensamentos“E se…? / Algo ruim vai acontecer”“Não consigo dar conta”“Nada vai melhorar”
Ativação do SNAAlta (modo alarme)Alta (modo estresse)Frequentemente baixa

É importante lembrar que comorbidade entre ansiedade e depressão é muito comum — cerca de 50% das pessoas com transtorno de ansiedade também apresentam episódio depressivo ao longo da vida.


Quando Buscar Ajuda Profissional?

Você deve considerar buscar avaliação com um psicólogo ou psiquiatra quando:

  • A ansiedade está presente na maioria dos dias por mais de duas semanas
  • Os sintomas interferem no trabalho, estudos, relacionamentos ou rotina
  • Você está evitando situações, pessoas ou lugares por causa do medo
  • Os sintomas físicos são intensos e frequentes (ataques de pânico, insônia crônica)
  • Você está usando substâncias (álcool, automedicação) para lidar com a ansiedade
  • A qualidade de vida está significativamente comprometida

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Ansiedade

A ansiedade tem cura? A ansiedade adaptativa — aquela resposta normal ao estresse — faz parte da vida e não precisa de “cura”. Já os transtornos de ansiedade têm tratamento altamente eficaz, com remissão completa dos sintomas em muitos casos. A TCC, por exemplo, produz mudanças que se mantêm após o término do tratamento, como evidenciam estudos de acompanhamento de longo prazo.

Ansiedade pode dar sintomas físicos? Sim, absolutamente. Taquicardia, falta de ar, dores no peito, problemas gastrointestinais, insônia, tensão muscular e tonturas são alguns dos sintomas físicos mais comuns da ansiedade. Eles têm base neurobiológica real e não são “invenção” ou “estresse”.

Quem trata ansiedade: psicólogo ou psiquiatra? Ambos, de forma complementar. O psicólogo realiza o diagnóstico psicológico e conduz a psicoterapia (como a TCC). O psiquiatra avalia a necessidade de tratamento farmacológico e prescreve medicamentos quando indicado. Na maioria dos casos moderados a graves, a combinação dos dois tratamentos é a mais eficaz.

Existe teste de ansiedade? Existem escalas e questionários validados que auxiliam no rastreamento da ansiedade, como o GAD-7 e o BAI. No entanto, esses instrumentos são ferramentas auxiliares — o diagnóstico definitivo é sempre clínico, realizado por profissional habilitado.

Ansiedade tem relação com alimentação? Sim. O eixo intestino-cérebro é uma área de pesquisa crescente. A microbiota intestinal influencia a produção de serotonina, e alimentos como cafeína, açúcar refinado e álcool podem exacerbar os sintomas. Uma alimentação equilibrada é parte do cuidado integral.

Filhos de pessoas ansiosas também desenvolvem ansiedade? Existe componente genético e ambiental. Filhos de pais com transtornos de ansiedade têm maior vulnerabilidade — tanto pela herança genética quanto por modelagem de comportamentos ansiosos. Isso não significa determinismo: intervenção precoce e ambiente seguro fazem enorme diferença.

Ansiedade pode aparecer na infância? Sim. Pesquisas indicam que 50% dos transtornos de saúde mental apresentam os primeiros sinais até os 14 anos. Na infância, a ansiedade frequentemente se manifesta como medos intensos, recusa escolar, queixas somáticas (dores sem causa orgânica) e comportamentos de apego excessivo.


Conclusão: Ansiedade Tem Nome, Tem Causa e Tem Tratamento

Se você chegou até aqui, provavelmente está buscando compreender algo que você — ou alguém próximo — está vivendo. E esse primeiro passo, o de buscar informação e entendimento, já é imenso.

A ansiedade não é fraqueza. Não é exagero. Não é “coisa da cabeça” no sentido pejorativo. É uma resposta real, com base neurobiológica, que pode ser tratada com eficácia comprovada.

Como psicóloga especialista em neuropsicologia e TCC, trabalho diariamente com pessoas que viveram anos acreditando que tinham que “se acostumar” com a ansiedade — e que descobriram que é possível viver de forma diferente, com mais leveza, mais presença e mais confiança em si mesmas.

O próximo passo é seu. Se os sintomas descritos neste artigo fazem parte da sua vida de forma recorrente e limitante, considere buscar uma avaliação profissional.


Referências Bibliográficas

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© Thais Gonçalves | Psicóloga CRP 06/159412 | Reprodução parcial permitida com citação da fonte e link para o artigo original.

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Thais Gonçalves

Psicóloga especializada em neuropsicologia, terapia cognitivo-comportamental expert em transtornos de ansiedade, com mais de 6 anos de experiência.