Ansiedade

Síndrome do Pânico: Sintomas, Diferença de Infarto e Tratamento

Thais Gonçalves · CRP 06/15941214 de junho de 202618 min de leitura

Era uma terça-feira comum. Você estava no metrô, no shopping, sentado no sofá de casa. Não havia nada de errado. E então, de repente, tudo mudou. O coração começou a disparar. A respiração ficou curta. Veio uma tontura, um formigamento nas mãos, a sensação aterrorizante de que algo terrível estava prestes a acontecer. Talvez um infarto. Talvez o fim.

Você foi parar na emergência. Fizeram eletrocardiograma, exames de sangue, radiografia. Tudo normal. “É ansiedade”, disseram. Você voltou para casa aliviado, mas confuso, e com um pouco de medo de que aconteça de novo.

Se esse cenário soa familiar, você provavelmente viveu um ataque de pânico, e talvez esteja no começo do que se chama transtorno do pânico, ou síndrome do pânico, como é mais conhecido no Brasil.

A boa notícia: você não está morrendo. A melhor notícia: existe tratamento altamente eficaz. Este artigo explica o que é a síndrome do pânico, como ela difere de um infarto (uma distinção vital e frequentemente confusa), quais os critérios diagnósticos, e como a Terapia Cognitivo-Comportamental trata essa condição com resultados que se mantêm por anos.

O que é a Síndrome do Pânico

O transtorno do pânico, popularmente chamado de síndrome do pânico no Brasil, é um transtorno de ansiedade caracterizado pela ocorrência recorrente e inesperada de ataques de pânico, seguida de pelo menos um mês de preocupação persistente com a possibilidade de novos ataques, com suas consequências, ou com mudanças significativas de comportamento relacionadas a eles.

O que é um Ataque de Pânico

Segundo o DSM-5-TR, um ataque de pânico é um surto abrupto de medo ou desconforto intensos, que atinge o pico em minutos, durante o qual quatro ou mais dos seguintes sintomas ocorrem: palpitações ou aceleração da frequência cardíaca, sudorese, tremores, falta de ar ou sensação de sufocamento, sensação de engasgo, dor ou desconforto no peito, náusea ou mal-estar abdominal, tontura ou sensação de desmaio, calafrios ou ondas de calor, formigamento, desrealização ou despersonalização, medo de perder o controle ou enlouquecer, e medo de morrer.

O que é um ataque de pânico? É um episódio súbito e intenso de medo que atinge o pico em minutos, acompanhado de pelo menos 4 dos 13 sintomas físicos e cognitivos do DSM-5: taquicardia, falta de ar, dor no peito, tontura, suor, tremores, formigamento, sensação de morte iminente ou de perder o controle. Diferente de um infarto, os sintomas se resolvem sozinhos em 20 a 30 minutos e não deixam sequelas físicas.

Uma característica central do ataque de pânico: ele atinge o pico em minutos e, apesar da intensidade aterrorizante, se resolve sozinho, geralmente em 20 a 30 minutos, sem causar dano físico real ao organismo.

Quem é Afetado

O transtorno do pânico não é raro. Uma revisão publicada no NCBI StatPearls (Cackovic et al., 2023) o coloca entre os problemas mais comuns da psiquiatria: prevalência ao longo da vida de 2% a 5% da população geral nos Estados Unidos, prevalência em 12 meses de cerca de 2% a 3%, o dobro de casos em mulheres em relação a homens, início típico na adolescência tardia ou no início da vida adulta (pico por volta dos 25 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade), e curso crônico e flutuante quando não tratado.

Uma característica notável é o altíssimo uso de serviços de saúde: pacientes com esse diagnóstico frequentam emergências e clínicas cardiológicas com taxas muito superiores às da população geral, muitas vezes em busca de explicação orgânica para os sintomas. A revisão de Cackovic et al. (2023) aponta que o transtorno do pânico tem o maior número de visitas médicas entre todos os transtornos de ansiedade, o que o torna extremamente custoso para os sistemas de saúde.

No Brasil, dados apontam prevalência em 12 meses próxima de 1%, com mais da metade dos pacientes apresentando comorbidades como depressão, TAG e fobia social, conforme revisão publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria (Manfro et al.).

Critérios Diagnósticos do DSM-5

Para o diagnóstico de transtorno do pânico, em contraposição ao ataque de pânico isolado (que pode acontecer com qualquer pessoa), três critérios precisam ser atendidos:

Critério A. Ataques de pânico inesperados e recorrentes, não provocados por uma situação específica.

Critério B. Pelo menos um dos ataques foi seguido por um mês ou mais de preocupação persistente sobre outros ataques ou suas consequências (“vou ter um infarto”, “vou enlouquecer”, “vou desmaiar em público”), ou de mudança comportamental significativa relacionada aos ataques, como evitar exercícios ou lugares associados a episódios anteriores.

Critério C. Os ataques não se devem a efeitos de substâncias (cafeína em excesso, drogas) ou de uma condição médica (hipertireoidismo, arritmia), e não são melhor explicados por outro transtorno mental.

Um ataque de pânico isolado não é o mesmo que transtorno do pânico. Muitas pessoas vivem um ou dois ataques ao longo da vida sem desenvolver o transtorno. O diagnóstico exige a presença do ciclo de ansiedade antecipatória e de mudança comportamental.

Ataque de Pânico ou Infarto: Como Diferenciar

Esta é, sem dúvida, a questão mais urgente que cerca o transtorno do pânico, e também uma das mais clinicamente relevantes. Uma revisão publicada na Frontiers in Psychiatry (Tunnell et al., 2024), com buscas no PubMed, Cochrane e PsycINFO até fevereiro de 2024, documenta que os sintomas de um ataque de pânico (palpitações, falta de ar, dor no peito, tontura, náusea) imitam de forma convincente os sintomas de doenças cardíacas, o que cria grande dificuldade diagnóstica, sobretudo na emergência.

Característica Ataque de pânico Infarto do miocárdio
Início Súbito, geralmente sem gatilho externo Pode ser súbito ou gradual, com frequência ligado a esforço físico
Pico dos sintomas Em cerca de 10 minutos Piora progressiva ao longo do tempo
Duração 20 a 30 minutos, resolve-se sozinho Persiste e pode durar horas sem tratamento
Dor no peito Aguda, em pontada, ou pressão localizada; piora com respiração profunda Pressão ou aperto, tipo “elefante no peito”; pode ser vaga ou em queimação
Irradiação da dor Rara, fica localizada no peito Frequente para braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas
Relação com esforço Pode ocorrer em repouso total Sintomas surgem ou pioram com esforço físico
Melhora Resolve-se sozinho, sem intervenção Não melhora sem tratamento urgente
Após o episódio Esgotamento, sem sequelas físicas Pode deixar dano ao músculo cardíaco, com marcadores elevados
Sensação subjetiva Medo intenso de morrer ou perder o controle Sensação de algo sério com o coração
ECG Normal Tipicamente alterado
Troponina Normal Elevada

Nunca assuma que uma dor no peito intensa é apenas pânico sem avaliação médica. Na dúvida, sobretudo se houver irradiação para braço, mandíbula ou costas, se os sintomas surgirem durante esforço físico, se durarem mais de 30 minutos sem alívio, ou se você tiver fatores de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão, tabagismo, histórico familiar), procure atendimento de emergência imediatamente. O diagnóstico de pânico só deve ser dado depois de excluídas causas cardíacas e orgânicas.

A revisão de Tunnell et al. (2024) descreve um subtipo cardiorrespiratório do pânico, com predomínio de palpitações, falta de ar, dor no peito e dormência, somado ao medo de morrer, o que maximiza a confusão diagnóstica. Esses pacientes têm taxas altas de encaminhamento a cardiologistas e de exames cardíacos, muitas vezes sem achado orgânico. Vale notar também que um ataque de pânico pode ocorrer durante o sono (os chamados ataques noturnos), quando a pessoa acorda de forma abrupta com os sintomas físicos, o que costuma surpreender quem pensava que o pânico só ocorria em situações de estresse consciente.

Por que o Ataque de Pânico Acontece

Entender a neurobiologia do pânico ajuda tanto a desmistificar o que acontece quanto a compreender por que os tratamentos funcionam. O ataque de pânico é, essencialmente, uma resposta de alarme falso do sistema nervoso: a amígdala dispara como se houvesse um perigo real, ativando o sistema nervoso simpático e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal com intensidade máxima.

O modelo neurobiológico de Gorman e colaboradores descreve que os ataques de pânico têm origem no tronco encefálico (com influência de transmissão serotoninérgica, noradrenérgica e do controle respiratório), enquanto a ansiedade antecipatória emerge de estruturas do sistema límbico, o que tem implicações diretas para o tratamento.

O Papel da Hipersensibilidade Interoceptiva

Uma descoberta central na neuropsicologia do pânico é o papel da hipersensibilidade interoceptiva: a tendência de perceber e monitorar em excesso as sensações internas do corpo, como batimentos cardíacos, respiração e sensações gastrointestinais.

Em pessoas com transtorno do pânico, essa hipervigilância cria um ciclo problemático: uma sensação física benigna (variação normal do ritmo cardíaco, tontura leve) é detectada de forma amplificada pelo sistema de monitoramento interno, gera uma interpretação catastrófica (“meu coração está acelerado, devo estar tendo um infarto”), que aumenta a ansiedade, que por sua vez aumenta os sintomas físicos, que parecem confirmar a catástrofe, fechando uma espiral de pânico. Esse ciclo de interpretação catastrófica de sensações físicas é central no modelo cognitivo do pânico proposto por David Clark, e é exatamente o que a TCC busca interromper.

Como o Transtorno se Mantém

Depois do primeiro ataque, a pessoa costuma desenvolver dois padrões que, juntos, formam o ciclo de manutenção do transtorno.

Ansiedade antecipatória. O terror de ter outro ataque leva a um estado constante de hipervigilância. A pessoa monitora intensamente as sensações corporais, buscando sinais de que um novo ataque está chegando. Esse monitoramento aumenta a percepção de sensações físicas normais, que passam a ser mal-interpretadas como sinais de pânico iminente.

Evitação e agorafobia. Para prevenir novos ataques, a pessoa passa a evitar situações associadas a episódios anteriores: metrô, shoppings, lugares lotados, academias, viagens longas, filas. Aos poucos, os domínios evitados se ampliam. Quando a evitação passa a incluir qualquer situação de onde seria difícil escapar ou obter ajuda em caso de ataque, instala-se a agorafobia como comorbidade, presente em cerca de um terço dos pacientes com transtorno do pânico.

A consequência desse ciclo é uma vida cada vez menor. O apartamento vira o único lugar seguro. Sair sozinho se torna impossível. Trabalho, relacionamentos e qualidade de vida vão se deteriorando aos poucos.

Causas e Fatores de Risco

Como os demais transtornos de ansiedade, o transtorno do pânico é multifatorial.

Fatores biológicos. Existe componente hereditário: parentes de primeiro grau de pessoas com transtorno do pânico têm risco aumentado de desenvolver o mesmo quadro. Muitas pessoas com pânico têm hipersensibilidade ao CO2, o que pode explicar por que episódios de hiperventilação disparam ataques. Também foram identificadas alterações nos sistemas noradrenérgico, serotoninérgico e GABAérgico, e no circuito amígdala-córtex pré-frontal.

Fatores psicológicos. Sensibilidade à ansiedade (medo das próprias sensações físicas de ansiedade), estilo cognitivo catastrofizante, experiências traumáticas ou estressores agudos que costumam preceder o primeiro ataque, e traços de temperamento como inibição comportamental e neuroticismo elevado.

Fatores ambientais e situacionais. Consumo excessivo de cafeína, privação de sono e exaustão, uso de estimulantes ou certos medicamentos, estressores de vida importantes e tabagismo, já que a nicotina também é um estimulante.

Várias condições médicas podem provocar sintomas parecidos com ataques de pânico: hipertireoidismo, feocromocitoma, arritmias, hipoglicemia, epilepsia. Por isso, a avaliação médica para excluir causas orgânicas é parte indispensável do processo diagnóstico.

Síndrome do Pânico com e sem Agorafobia

O DSM-5 diferencia o transtorno do pânico com agorafobia do transtorno do pânico sem agorafobia. A agorafobia, que pode ocorrer de forma independente mas costuma estar associada ao pânico, é o medo ou ansiedade acentuados em relação a situações onde escapar seria difícil ou embaraçoso, ou onde ajuda poderia não estar disponível em caso de pânico: transporte público, espaços abertos (estacionamentos, mercados, pontes), espaços fechados ou lotados (shoppings, cinemas, filas), ou estar fora de casa sozinho.

Quando presente, a agorafobia aumenta a complexidade do tratamento e o impacto na qualidade de vida, mas não inviabiliza a TCC. Ao contrário, a exposição gradual é especialmente eficaz para quebrar o ciclo de evitação.

O que Fazer Durante um Ataque de Pânico

Mesmo sabendo racionalmente que “não é um infarto”, a intensidade de um ataque pode ser paralisante. Algumas estratégias com respaldo científico para o manejo agudo:

  • Reconheça o que está acontecendo. “Estou tendo um ataque de pânico. É terrível, mas não é perigoso. Vai passar.”
  • Não lute contra os sintomas. Tentar suprimir ou fugir da ansiedade costuma amplificá-la. Observe os sintomas com curiosidade em vez de horror: “meu coração está acelerado, isso é adrenalina, não uma doença”.
  • Respire devagar, de forma diafragmática. Inspire pelo nariz contando até 4, segure por 1 a 2 segundos, expire pela boca contando até 6. Uma expiração mais longa que a inspiração ativa o sistema nervoso parassimpático.
  • Permaneça na situação quando for seguro. Se não houver risco real, ficar (em vez de fugir) é terapeuticamente mais eficaz, mesmo que desconfortável. Fugir reforça a crença de que a situação é perigosa.
  • Evite comportamentos de segurança, como ligar desesperadamente para alguém ou sentar imediatamente. Mesmo reduzindo o desconforto na hora, eles ensinam ao cérebro que, sem eles, o perigo seria real.

A respiração em saco plástico, tão popular, não é recomendada e pode ser perigosa: ela aumenta o CO2, o que em pessoas sensíveis pode piorar o quadro. O foco deve estar na respiração diafragmática lenta, não em aumentar o CO2.

Tratamento: o que a Ciência Comprova

O transtorno do pânico tem opções de tratamento muito eficazes, com evidências sólidas acumuladas ao longo de décadas.

TCC: o Tratamento de Referência

A TCC é reconhecida como tratamento psicológico de primeira linha para o transtorno do pânico em todas as principais diretrizes clínicas internacionais. Uma revisão na Revista Brasileira de Psiquiatria (Manfro et al.) documenta que 87% dos pacientes ficam sem ataques após um ano, e 75% a 81% depois de dois anos de finalizada a TCC breve, resultados superiores aos da farmacologia isolada no longo prazo.

Uma revisão sistemática com meta-análise em rede na Psychological Medicine (Pompoli et al., 2018), com 72 estudos e 4.064 participantes, identificou os componentes de maior impacto na eficácia: reestruturação cognitiva (identificação e questionamento das interpretações catastróficas das sensações físicas), exposição interoceptiva (confrontação deliberada e controlada das sensações temidas) e o formato presencial, associado a maiores taxas de remissão. A combinação de reestruturação cognitiva com exposição interoceptiva mostrou uma vantagem de odds ratio de 7,69 em favor da remissão, em comparação a protocolos sem esses componentes.

O protocolo de TCC para pânico costuma incluir:

  • Psicoeducação sobre o pânico: o mecanismo de falso alarme, o papel da adrenalina, por que os sintomas físicos não causam dano, e como o ciclo de evitação mantém o transtorno. Esse conhecimento, por si só, já reduz boa parte da ansiedade antecipatória
  • O modelo de interpretação catastrófica de Clark: identificar o ciclo (sensação física, interpretação catastrófica, medo, mais sintomas) e reconhecê-lo em tempo real
  • Reestruturação cognitiva: questionar os pensamentos automáticos com perguntas como “qual é a evidência de que estou tendo um infarto?”, “quantas vezes já senti isso e sobrevivi?”, “o que um cardiologista diria sobre meu estado?”
  • Exposição interoceptiva, o componente mais específico do protocolo: o paciente provoca intencionalmente, com o terapeuta e de forma controlada, as sensações físicas que disparam o pânico (hiperventilação voluntária, girar em uma cadeira, subir escadas rapidamente, respirar por um canudo, olhar fixo para um ponto), para aprender que elas são toleráveis e não perigosas
  • Exposição in vivo gradual, para casos com agorafobia: uma hierarquia de situações evitadas, abordadas de forma progressiva
  • Prevenção de recaída: identificar situações de risco, planejar como lidar com ataques futuros, e entender que recorrências ocasionais são parte normal do processo, não sinal de fracasso

Uma revisão de TCC digital para pânico e agorafobia no Journal of Clinical Medicine (Jung et al., 2025), com 31 estudos, confirmou que a exposição interoceptiva foi o componente que mais consistentemente aumentou a eficácia, mesmo em formatos digitais.

TCC Online: Evidência Sólida

Uma meta-análise sobre TCC remota para transtorno do pânico na Behaviour Research and Therapy (Wootton & MacGregor, 2021), com 21 estudos e 1.604 participantes, encontrou tamanhos de efeito grandes para a TCC remota em comparação a controles passivos, e nenhuma diferença significativa entre TCC remota e presencial. Videoconferência, internet e biblioterapia produziram efeitos igualmente grandes.

Esses dados são especialmente relevantes para pacientes com agorafobia severa, para quem sair de casa para sessões presenciais é um desafio real, e para quem a terapia online pode ser a porta de entrada mais acessível, inclusive para brasileiras que vivem fora do país.

Tratamento Farmacológico

O tratamento farmacológico pode ser parte importante do plano terapêutico, sobretudo em casos moderados a graves em que a intensidade dos sintomas dificulta o engajamento inicial na TCC. Como primeira linha, os ISRS (escitalopram, paroxetina, sertralina, com efeito geralmente observado após 4 a 6 semanas) e os IRSN (venlafaxina). Antidepressivos tricíclicos como a imipramina também são eficazes, com maior perfil de efeitos adversos. Os benzodiazepínicos são usados apenas para o agudo e o curto prazo, e não são recomendados como tratamento principal, pelo risco de dependência e porque podem interferir no aprendizado de extinção do medo produzido pela TCC.

Benzodiazepínicos como alprazolam e clonazepam, frequentemente prescritos como “ansiolíticos para pânico”, têm eficácia de curto prazo, mas criam um dilema: ao eliminar rapidamente a ansiedade, podem impedir justamente o aprendizado de extinção que é a base da TCC, além do risco real de dependência física. A decisão sobre medicação é sempre do médico psiquiatra, que trabalha de forma complementar ao psicólogo.

Comorbidades

O transtorno do pânico raramente aparece isolado. Mais da metade dos pacientes apresenta comorbidades, sendo as mais comuns a agorafobia (em cerca de um terço dos casos), a depressão maior (muitas vezes consequência do isolamento gerado pelo pânico), o TAG, a ansiedade de saúde (interpretações catastróficas de sintomas físicos), o abuso de substâncias (especialmente álcool, usado como automedicação) e doenças cardiovasculares, já que evidências sugerem relação bidirecional entre pânico e risco cardiovascular. A presença de comorbidades não inviabiliza o tratamento, mas pede uma formulação clínica mais cuidadosa.

Quando Procurar Ajuda

Vale buscar avaliação com psicólogo especializado em ansiedade quando você já teve um ou mais episódios compatíveis com ataque de pânico e exames médicos descartaram causa orgânica, está com medo constante de ter outro ataque, começou a evitar situações ou atividades físicas por medo de um novo episódio, seu sono está comprometido, inclusive por ataques noturnos, o medo está limitando sua vida profissional, social ou familiar, ou você está usando álcool ou remédios para se sentir capaz de enfrentar situações.

Síndrome do Pânico Tem Tratamento, e Você Pode Viver sem Medo

O transtorno do pânico é uma das condições que mais isolam a vida das pessoas. A cada ataque, o mundo encolhe um pouco mais. O sofá de casa vai virando o único lugar seguro, e o medo de ter medo, essa ansiedade antecipatória que nunca descansa, passa a consumir mais energia do que os próprios ataques.

Mas há algo que a ciência mostra com clareza: o cérebro que aprendeu a ter pânico pode desaprender. Os circuitos neurais que associaram sensações físicas ao perigo podem ser recondicionados, e a amígdala hiperativa pode ser modulada por um córtex pré-frontal fortalecido pela terapia.

A TCC para transtorno do pânico é hoje uma das intervenções psicológicas com maior suporte científico da literatura. Os 87% sem ataques após um ano não são um número abstrato: são vidas reconstruídas. O atendimento é feito de forma online, inclusive para quem mora fora do Brasil.

Você não precisa viver com medo do seu próprio coração.

Referências Bibliográficas

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Perguntas frequentes

Ataque de pânico pode matar?

Não. Apesar de aterrorizante, um ataque de pânico não causa dano físico ao coração ou a qualquer órgão. Os sintomas, mesmo a taquicardia intensa, são produzidos por adrenalina e se resolvem sozinhos. O risco existe quando sintomas cardíacos reais são confundidos com pânico e não tratados, por isso a avaliação médica é sempre importante na dúvida.

Como diferenciar ataque de pânico de infarto no momento?

O ataque de pânico tende a ter dor aguda e localizada no peito, sem irradiar para o braço ou a mandíbula, com pico rápido e melhora em 20 a 30 minutos, geralmente sem relação com esforço físico. O infarto costuma ter dor em pressão ou aperto, que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas, e piora progressivamente, muitas vezes ligada a esforço. Na dúvida, sempre busque a emergência.

A síndrome do pânico tem cura?

O transtorno do pânico tem excelente prognóstico com tratamento. Estudos mostram que 87% dos pacientes ficam sem ataques depois de um ano de TCC, e 75% a 81% depois de dois anos. A TCC modifica os mecanismos subjacentes ao transtorno, não só mascara os sintomas, o que ajuda a explicar a durabilidade dos resultados.

O que é agorafobia, e ela sempre vem junto com o pânico?

Agorafobia é o medo de situações onde seria difícil escapar ou obter ajuda em caso de pânico, como transporte público, lugares lotados ou espaços abertos. Ocorre em cerca de um terço dos pacientes com transtorno do pânico, mas também pode existir de forma independente. Quando presente, é tratada com exposição gradual às situações evitadas.

Posso ter ataque de pânico dormindo?

Sim. Os ataques noturnos são relativamente comuns e especialmente assustadores, já que a pessoa acorda de forma abrupta com os sintomas físicos, sem nenhum contexto aparente. Seguem o mesmo mecanismo biológico dos ataques diurnos e respondem ao mesmo tratamento.

Exercício físico pode desencadear um ataque?

Pode, sobretudo no início do tratamento, já que o exercício aumenta a frequência cardíaca e a respiração, exatamente as sensações que a pessoa aprendeu a temer. Ainda assim, o exercício regular é benéfico para reduzir a ansiedade de base, e a exposição interoceptiva inclui deliberadamente exercícios físicos para dessensibilizar essas sensações.

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

Um ataque costuma atingir o pico em 10 minutos e se resolver em 20 a 30 minutos, raramente durando mais de uma hora. A sensação de exaustão que fica depois pode durar mais algumas horas.

Thais Gonçalves, CRP 06/159412

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